Trotinetes e bicicletas elétricas: que seguro é obrigatório (e o que já tem sem saber)
Até 25 km/h não há seguro obrigatório — mas a responsabilidade por um atropelo é sua na mesma. O que a lei distingue, o que a RC familiar do multirriscos já cobre, e como segurar o roubo na rua.

As trotinetes e bicicletas elétricas encheram as cidades — e trouxeram uma pergunta para a qual quase ninguém tem resposta: se eu atropelar alguém com a trotinete, quem paga? E se ma roubarem à porta do café? E o pulso partido na queda?
A resposta depende de uma distinção legal que vale a pena conhecer — e de duas ou três coberturas que provavelmente já tem em casa sem saber.
Atualizado em agosto de 2026 · Silvares Mediação de Seguros Lda · ASF n.º 417448548/3
Primeiro, a lei: nem tudo o que tem motor é "veículo a motor"
O Código da Estrada trata a mobilidade elétrica em duas categorias muito diferentes:
- Velocípedes (e equiparados): bicicletas com assistência elétrica até 25 km/h e 250 W (a pedelec normal) e as trotinetes dentro dos limites equiparados a velocípedes. Para uso particular, não têm seguro obrigatório — tal como uma bicicleta clássica;
- Ciclomotores e afins: as chamadas speed pedelecs (assistência até 45 km/h) e trotinetes que excedem os limites dos velocípedes. Estas entram no mundo dos veículos a motor: matrícula, carta adequada e seguro de responsabilidade civil obrigatório — quem anda numa destas sem seguro está na mesma situação de quem conduz uma mota sem seguro.
Primeira verificação, portanto: o que é, legalmente, o seu equipamento? A ficha técnica (velocidade de assistência e potência) responde. Muitos equipamentos vendidos online "desbloqueados" para 35-45 km/h saíram da categoria velocípede sem o dono se aperceber — com tudo o que isso implica num acidente.
O cenário que arruína: os danos aos outros
Sem seguro obrigatório não quer dizer sem responsabilidade. Quem causa um acidente de trotinete ou bicicleta responde pelos danos como qualquer pessoa — e um peão idoso que cai mal pode significar dezenas ou centenas de milhares de euros entre tratamentos, incapacidade e danos morais. É o risco financeiro real deste tema, e é enorme para quem não tem nada.
A boa notícia: este risco cobre-se por pouco dinheiro, e pode até já estar coberto:
- Responsabilidade civil familiar/vida privada: muitos multirriscos habitação incluem uma RC do agregado que cobre danos causados a terceiros na vida privada — e várias abrangem expressamente o uso de velocípedes. É a primeira apólice a verificar (capital e exclusões incluídos);
- RC autónoma / seguros de mobilidade: para quem não tem multirriscos (ou tem RC curta), há seguros específicos de bicicleta/trotinete que juntam RC, acidentes pessoais e, nalguns casos, o roubo do equipamento;
- Atenção às exclusões: uso profissional (estafetas!) e competição estão tipicamente fora da RC familiar — quem entrega comida de bicicleta precisa de solução própria.
O roubo e os danos ao próprio equipamento
Uma boa e-bike custa 2.000-5.000 €; uma trotinete decente, várias centenas. Como se protege o equipamento em si:
- Em casa/garagem: o recheio do multirriscos cobre em regra o roubo dentro de casa — confirme capitais e se a garagem/arrecadação está incluída;
- Na rua: é o ponto fraco — o furto fora de casa exige extensão específica ou seguro próprio de bicicleta, quase sempre com exigências de cadeado certificado e registo do quadro. Leia essas condições antes do sinistro: "estava presa com cadeado homologado?" é a primeira pergunta da seguradora;
- Quedas e danos acidentais do próprio equipamento: só em seguros específicos de bicicleta — a RC não cobre os seus próprios danos.
E o condutor? Acidentes pessoais
Numa queda de trotinete, quem paga a fisioterapia é o seu seguro de saúde (ou o SNS). Para ir mais longe — indemnização por invalidez, subsídio diário por incapacidade — existe a cobertura de acidentes pessoais, incluída em muitos seguros de bicicleta ou contratável à parte. Para quem usa a bicicleta todos os dias para o trabalho, é uma cobertura a levar a sério.
Checklist do utilizador de duas rodas elétricas
- Confirmar a categoria legal do equipamento (≤25 km/h / 250 W = velocípede; acima = seguro obrigatório!)
- Verificar se o multirriscos tem RC familiar e se cobre velocípedes — e com que capital
- Estafetas e uso profissional: solução própria, a RC familiar não chega
- Roubo na rua: extensão específica + cadeado certificado + fatura e n.º de quadro guardados
- Uso diário: ponderar acidentes pessoais
- Speed pedelec ou trotinete "desbloqueada": parar tudo e tratar do seguro obrigatório primeiro
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