Bónus/malus: como o seu histórico decide o prémio — e como protegê-lo
Não há tabela única: cada seguradora tem a sua escala. O que conta para o malus, a conta a fazer antes de acionar o seguro num dano pequeno, e as formas de proteger anos de bónus.

Anos a conduzir sem um toque, o prémio a descer devagarinho — e um estacionamento mal medido deita tudo abaixo. No ano seguinte, o seguro sobe 30%. Bem-vindo ao bónus/malus: o sistema silencioso que decide quanto paga, e que quase ninguém sabe como funciona.
Atualizado em agosto de 2026 · Silvares Mediação de Seguros Lda · ASF n.º 417448548/3
Como funciona (e um mito para desfazer já)
O bónus/malus é a escala de descontos (bónus) e agravamentos (malus) que a seguradora aplica ao prémio conforme o seu histórico de sinistros: anos sem sinistros com culpa fazem-no descer na escala e pagar menos; um sinistro com culpa fá-lo subir — e pagar mais.
O mito a desfazer: não existe uma tabela única nacional. Em Portugal, cada seguradora tem a sua própria escala — o número de escalões, quanto desce por ano limpo e quanto sobe por sinistro variam de companhia para companhia. Duas consequências práticas:
- O "escalão" que tem numa seguradora não se transfere automaticamente como número para outra; o que conta na mudança é o seu historial de sinistros (que a nova seguradora consulta e pede);
- Comparar seguros olhando só para o prémio do primeiro ano é míope: interessa também como a escala trata um sinistro — há companhias que perdoam mais depressa do que outras.
O que conta (e o que não conta) para o malus
Sobe na escala quem tem sinistros com culpa — total ou parcial — em que a seguradora pagou indemnização. Em regra:
- Não conta: o acidente em que o outro foi o culpado e a seguradora dele pagou; a quebra isolada de vidros ou fenómenos da natureza (na maioria das companhias, estas coberturas não mexem no bónus — confirme na sua);
- Conta: o toque em que teve culpa, mesmo pequeno, se acionou o seguro; a responsabilidade partilhada (50/50) conta em ambos os lados, por inteiro ou em parte conforme a companhia.
E atenção ao efeito retardado: o sinistro de dezembro pode só aparecer no prémio da renovação seguinte — quando já quase se esqueceu dele.
A conta antes de acionar o seguro
É aqui que o bónus/malus se cruza com a franquia: num dano pequeno com culpa própria, acionar o seguro pode custar mais do que a reparação.
Exemplo típico:
- Risco no para-choques em manobra: reparação 350 €
- Franquia dos danos próprios: 250 € → a seguradora pagaria 100 €
- Efeito provável do malus: +15% a +25% no prémio, durante 2-3 renovações — num prémio de 500 €, são 75-125 €/ano
Neste cenário, acionar o seguro para receber 100 € e devolver 200-300 € em agravamentos é um mau negócio. Pagar do bolso e manter o bónus intacto ganha claramente. Com danos grandes, a conta inverte-se — é para isso que o seguro existe.
A regra prática: antes de participar um dano pequeno com culpa própria, ligue-nos. Fazemos a conta ao seu caso concreto (franquia, escala da sua seguradora, histórico) em cinco minutos — e só depois decide.
Como proteger o bónus que levou anos a construir
- Proteção de bónus: várias seguradoras vendem uma cobertura que "perdoa" o primeiro sinistro com culpa sem subir o escalão. Custa pouco e, para quem está no topo da escala há anos, é das coberturas com melhor relação custo-benefício.
- Condutores adicionais declarados: se o filho recém-encartado conduz o carro, declare-o. Um sinistro com condutor não declarado é dor de cabeça garantida — e o "truque" de segurar o carro do filho em nome do pai para herdar o bónus pode sair caro: além do agravamento por condutor jovem mal calculado, declarações inexatas dão problemas no sinistro.
- Na troca de seguradora, leve o historial: anos sem sinistros são um ativo negocial. Quando pedimos cotações, apresentamos o seu histórico às companhias — é frequente conseguir na nova seguradora um posicionamento melhor do que o "escalão de entrada".
- Guarde a declaração de sinistralidade quando cancelar uma apólice (a seguradora tem de a emitir). É o seu "certificado de bom condutor" para o futuro.
Em resumo
- Cada seguradora tem a sua escala — o prémio do 1.º ano não é tudo; a forma como tratam sinistros também compara-se.
- Sinistros com culpa sobem o malus; os do outro condutor, não.
- Danos pequenos: faça a conta (franquia + agravamento) antes de acionar — muitas vezes compensa pagar do bolso.
- Proteção de bónus é barata e vale a pena para quem está no topo da escala.
O seu prémio subiu na renovação e não percebe porquê? Traga-nos a apólice e o aviso de renovação — explicamos-lhe a conta e, se for caso disso, pomos outras seguradoras a competir pelo seu histórico. Já agora: se o prémio subiu sem ter tido sinistros, este artigo explica as outras razões.