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Perda total: a seguradora propõe pouco pelo carro? O plano para contestar

A proposta não dá para comprar um carro equivalente? Como se calcula o valor venal, o papel do salvado, e o passo a passo para contestar com provas — até ao CIMPAS, se for preciso.

Silvares Seguros01 de outubro de 20264 min de leitura
Perda total: a seguradora propõe pouco pelo carro? O plano para contestar

O carro foi declarado perda total e a seguradora enviou a proposta: um valor que não dá para comprar nada equivalente no mercado. É das situações que mais revolta gera — e das que mais se resolve com método em vez de zanga. Este é o guia do que fazer, passo a passo.

Atualizado em agosto de 2026 · Silvares Mediação de Seguros Lda · ASF n.º 417448548/3

O que é, afinal, a "perda total"

A perda total declara-se quando o veículo desapareceu (furto sem recuperação), quando a reparação é tecnicamente impossível — ou, no caso mais comum, quando reparar deixa de fazer sentido económico face ao valor do veículo. Os critérios constam da lei do seguro automóvel obrigatório e das condições da apólice; o princípio é sempre o mesmo: a partir de certo ponto, a seguradora indemniza o valor do carro em vez de pagar a reparação.

A discussão, na prática, nunca é sobre o conceito. É sobre o número.

Como a seguradora chega ao valor (e onde a conta pode falhar)

A proposta assenta no valor venal — o valor de mercado do seu carro imediatamente antes do sinistro — e, quando fica com o salvado, deduz-lhe o valor dos destroços. Os pontos onde vale a pena olhar com lupa:

  • Valor de mercado de quê, exatamente? Do seu carro: versão, quilómetros, extras, estado, revisões feitas. Uma avaliação por tabela genérica ignora o GPS de fábrica, o motor acabado de fazer, os pneus novos;
  • Valor de substituição local: o critério justo é o custo de comprar um veículo equivalente no mercado — e os anúncios reais de carros iguais ao seu são a melhor prova disso;
  • O salvado: se a seguradora deduz o valor do salvado, deve indicar quem o compra por esse valor. Não é obrigado a ficar com os destroços por um valor teórico que ninguém paga;
  • Recibos e extras: revisão grande recente, pneus, extras instalados — documentos que puxam o valor para cima e que a peritagem inicial raramente conhece.

Nota importante para quem tem danos próprios: o que recebe também depende da apólice — capital seguro, tabela de desvalorização contratada, franquia. Há apólices com valor em novo nos primeiros anos (recebe um carro novo, não o valor de mercado) — mais uma razão para saber o que assinou antes do dia do sinistro.

O plano de ação, passo a passo

  1. Peça a fundamentação por escrito. A proposta deve ser fundamentada: valor venal considerado, custo estimado da reparação, valor do salvado e respetivo comprador. Sem estes números, não há conversa séria.
  2. Monte o seu dossier de mercado. Junte 5 a 10 anúncios de veículos verdadeiramente equivalentes (mesma versão, ano, quilometragem semelhante), de sites reconhecidos, com data. Acrescente faturas de revisões e extras. É este dossier que transforma "acho pouco" em "está aqui a prova".
  3. Conteste por escrito, com o dossier anexo, pedindo a revisão do valor. As propostas iniciais têm margem — uma contestação documentada é frequentemente suficiente para a subir.
  4. Discorda da peritagem técnica? Pode pedir uma contraperitagem (perito à sua escolha; o custo pode ser seu, mas em valores altos compensa).
  5. Sem acordo? Antes dos tribunais existe o CIMPAS — o centro de arbitragem do setor automóvel/segurador, mais rápido e barato que a via judicial. E há sempre a reclamação à ASF, que supervisiona as práticas das seguradoras.
  6. Não assine quitação antes de estar de acordo. Receber "por conta" é uma coisa; assinar termo de quitação total é fechar a discussão.

Os erros que enfraquecem a sua posição

  • Aceitar ao telefone a primeira proposta "para despachar" — por escrito, sempre, e com tempo;
  • Deitar fora faturas de manutenção (guarde-as durante a vida do carro — são dinheiro no dia da perda total);
  • Deixar o carro acumular taxas de parqueamento na oficina enquanto a discussão se arrasta — pergunte por escrito quem suporta o parque;
  • Esquecer que o carro de substituição e os juros podem ser devidos quando a responsabilidade é do outro condutor e o processo se atrasa.

O nosso papel

Quando o processo é acompanhado por um mediador, a conversa muda de tom: nós conhecemos os prazos, os critérios e as pessoas do outro lado. Nos processos dos nossos clientes, acompanhamos o sinistro do início ao fim — incluindo a discussão do valor de perda total com o dossier de mercado bem montado. Se o acidente foi ontem e ainda está na fase do papel, comece por aqui: o guia da declaração amigável.

Recebeu uma proposta que lhe parece curta? Envie-nos a carta da seguradora e os dados do carro — dizemos-lhe com franqueza se o valor é razoável ou se vale a pena contestar, e como. Fale connosco.

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