Carências e pré-existências: as letras pequenas do seguro de saúde, explicadas
Porque é que a seguradora recusou a cirurgia marcada dois meses depois de contratar? Como funcionam os períodos de carência, o que fazer às pré-existências, e o timing certo para contratar.

Contratou o seguro de saúde em janeiro, marcou a cirurgia em março — e a seguradora recusou. "Está em período de carência." Não é má-fé: está no contrato. Mas ninguém lho explicou no dia da venda, e é das maiores fontes de frustração (e de reclamações) nos seguros de saúde.
Este artigo explica as duas letras pequenas que mais importam num seguro de saúde: carências e pré-existências. Quem as percebe antes de assinar, escolhe melhor — e evita as más surpresas.
Atualizado em agosto de 2026 · Silvares Mediação de Seguros Lda · ASF n.º 417448548/3
Períodos de carência: a sala de espera do seguro
A carência é o período, contado desde o início do contrato, durante o qual certas coberturas ainda não funcionam — mesmo pagando o prémio desde o primeiro dia. Existe para evitar que alguém contrate o seguro já com a despesa marcada ("compro hoje, opero-me amanhã, cancelo depois").
Os prazos variam de seguradora para seguradora (é contratual, não vem da lei), mas o padrão do mercado português anda perto disto:
- Consultas e exames simples: sem carência, ou muito curta (até 30-60 dias);
- Internamento e cirurgias: tipicamente 60 a 180 dias;
- Parto: a carência mais longa do contrato — habitualmente 10 a 12 meses (quem quer cobertura de parto tem de contratar antes da gravidez);
- Doenças graves/oncologia e próteses: frequentemente 90 a 365 dias, conforme o plano.
Dois pormenores que valem dinheiro:
1. A carência conta por cobertura, não pelo contrato inteiro. Pode usar as consultas já na primeira semana e ter o internamento ainda "fechado" durante meses. Confirme o quadro de carências do seu plano — é uma tabela, e nós lemo-la consigo.
2. Ao trocar de seguradora, a carência pode recomeçar do zero. É o grande risco das trocas "para poupar 5 €/mês". Muitas seguradoras aceitam creditar as carências já cumpridas quando se vem de outro seguro de saúde sem interrupção — mas tem de ser negociado e escrito na proposta. É uma das primeiras coisas que tratamos quando fazemos uma mudança de seguro de saúde: ninguém deve voltar à sala de espera por ter mudado de operadora.
Pré-existências: o que já existia antes do seguro
Pré-existência é qualquer doença ou condição de saúde anterior à contratação — diagnosticada, tratada, ou com sintomas que já conhecia. As seguradoras tratam-nas de três formas possíveis:
- Exclusão: a apólice cobre tudo menos aquela condição (a mais comum);
- Agravamento: cobre, mas com prémio mais alto;
- Aceitação após análise: casos ligeiros ou antigos podem entrar sem restrições.
O ponto crítico é o questionário de saúde. Apetece "simplificar" — não mencionar aquela hérnia antiga, o colesterol, a cirurgia de há dez anos. É o pior erro possível: as omissões relevantes dão à seguradora fundamento para recusar sinistros ou anular o contrato justamente no momento em que mais precisa dele. A regra é uma só: declarar tudo, com rigor. Um seguro com uma exclusão conhecida vale mil vezes mais do que um seguro "perfeito" que falha quando é preciso.
E note a diferença: a pré-existência excluída não o impede de segurar tudo o resto. Um diabético pode (e deve) ter seguro de saúde — saberá apenas que aquela condição específica corre por fora, pelo SNS ou pelos seus meios.
As perguntas certas antes de assinar
Quando comparar planos — connosco ou por sua conta — leve esta lista:
- Qual é o quadro de carências, cobertura a cobertura?
- Vindo de outro seguro, creditam as carências cumpridas?
- O que consta como exclusão na minha proposta depois do questionário de saúde? (Peça-o por escrito.)
- Qual o capital de internamento e as percentagens de copagamento dentro e fora da rede?
- O plano cobre medicina dentária, parto, ambulatório — ou são módulos à parte?
- O que acontece ao prémio com a idade — há escalões etários definidos?
Um plano barato com carências longas, capitais curtos e exclusões largas não é barato — é incompleto. E o inverso também existe: há quem pague módulos (parto aos 60 anos, por exemplo) que nunca vai usar. Já escrevemos sobre os 7 critérios para escolher bem um seguro de saúde — este artigo é o complemento das letras pequenas.
O timing ideal
A conclusão prática das carências é simples: o melhor momento para contratar um seguro de saúde é quando não precisa dele. Saudável, sem gravidez em curso, sem cirurgia no horizonte — é aí que entra com carências a correr e sem pré-existências novas. Adiar "para quando for preciso" é garantir que, quando for preciso, ainda não funciona.
Quer que olhemos para o seu caso — plano atual, carências, exclusões, alternativas? É uma das análises do Check-up de Seguros, gratuito e sem compromisso. Ou peça diretamente uma simulação do seguro de saúde.